sexta-feira, 17 de outubro de 2025

Namastê buscadores!

A Graça de Pertencer

Primaveras da Alma
Nascemos quando os brotos rompem —
primavera em carne e alma,
cheiro de manhã molhada,
sorrisos que ainda não sabem do tempo.

Somos flores sem medo do vento,
curiosos, vivos, inteiros —
e a vida nos veste com cores
e nos oferece o mundo em festa...

Acreditamos que tudo é possível,
que mudar o mundo é questão de querer.
E mesmo com a chuva inesperada,
dançamos — sem pedir licença.

Depois, os espelhos nos contam segredos:
chegam com seus silêncios belos.
E as folhas caem como páginas lidas,
e aprendemos a caminhar mais devagar.

Somos menos urgência, mais presença,
menos barulho, mais profundidade.
Descobrimos que a sabedoria
nasce de cada estação vivida...

E o espírito segue — leve como neve.
Caminhamos entre tardes douradas,
onde o tempo repousa em galhos altos,
e cada passo tem o peso das histórias
que o coração aprendeu a carregar sem pressa.

O mundo ainda canta — mas em tom mais baixo,
como se nos chamasse a escutar
aquilo que antes corríamos para ignorar.
Descobrimos beleza no que antes era silêncio...

O céu nublado, o tronco seco,
o cair de uma folha — que não morre,
mas retorna à terra com propósito...
Assim a vida nos ensina a florir por dentro.

Já não precisamos da festa do mundo:
há um jardim secreto no peito
onde cada pétala nasce do que fomos.
Amadurecer é deixar cair a última certeza
e, ainda assim, voltar a sorrir com leveza.

Porque algo em nós permanece verde,
mesmo sob o frio das incertezas.
E mesmo quando tudo parece ausente,
o invisível trabalha —
raízes se movem no escuro,
preparando o retorno da luz.

E então, sem anúncio,
um broto nos desperta por dentro.
É outra primavera — não da pele,
mas da alma que aprendeu a esperar.

Ela chega mais quieta, mais funda,
trazendo não a promessa de eternidade,
mas a certeza do instante.
Trazendo não o desejo de possuir,
mas a graça de pertencer.

E assim seguimos —
cíclicos, eternamente inacabados,
florindo e desfazendo,
voltando sempre ao início,
onde tudo começa
com um sussurro de luz
e um sopro de flor.

Como viajantes de um tempo encantado,
caminhamos juntos pelos ciclos sutis da existência,
envolvidos pelo sopro da infância que ainda habita em nós,
enquanto nossas almas seguem o ritmo secreto das flores,
das folhas e do vento —

pois somos parte de um mistério ancestral,
onde cada estação nos veste e nos despe,
onde cada fim é apenas um arco que se curva para o recomeço,
e viver, enfim, é florescer em muitas camadas —
visíveis e invisíveis —
no jardim profundo do que somos.

Nenhum comentário:

Postar um comentário