quarta-feira, 7 de novembro de 2018

Shalom!

Este poema é um convite delicado à liberdade — não apenas dos pássaros, mas de tudo aquilo que em nós foi aprisionado pelo medo, pela rigidez ou pela tristeza. As imagens de gaiolas quebradas, fios rompidos e janelas abertas sugerem um gesto de libertação interior, como se devolver o voo aos pássaros fosse também restaurar a própria esperança. Há um desejo de reconexão com a natureza, com o sagrado cotidiano e com a leveza que transforma manhãs comuns em pequenos paraísos.

"Deixe os pássaros voltarem
Solte suas músicas da gaiola
Quebre os fios que entristecem
Veja-os voar pelos trigais.

Liberte-os agora e para sempre
Deixe-os montar sua primavera
Proprietários do limiar e frentes
E na liberdade das calçadas.

Que os pássaros voltem
Abra o sol da sua janela
Veja-os escalar as muralhas
Cubra sua garganta com o céu.

Solte-os como os sinos
Quebrem a solidão do afastamento
Forme um paraíso pela manhã
Tenha a alegria consagrada.

Deixe os pássaros voltarem
Sinta-os de volta no crepúsculo
Ouve-los cantar em seus templos
Deixe-os andar nos pátios.

Liberte-os agora e para sempre
Deixe-os montar sua primavera
Quebre os fios que entristecem
Deixe os pássaros voltarem."

"Los Zucará foi o nome da dupla uruguaia de música folclórica integrada 

por Humberto Piñeiro † e Julio Víctor González."

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